Glaucia e Clotilde

Texto redigido por Glaucia Lombardi:


“A Clotilde chegou filhote. Uma noite passeando com a Magali encontramos ela pequenininha cheia de queimaduras. Pegamos o bebê e levamos para casa.

Com cuidados e carinho ela foi se recuperando e mostrando o quanto era danada! Comia tudo. Roía móveis, sapatos, roupas… Almofadas e travesseiros então, não sobrava um! 

No começo era apenas Clotilde, depois virou Clotilde Maria. Nome composto é tudo de bom! Muito útil para pessoas e também para cachorros. Quem tem nome composto sabe do que eu estou falando. Quando tudo está bem é Clô, Coló, Colozinha. Quando apronta vira Clotilde Maria, chamado com a entonação apropriada para a situação.
Colô é tímida e tem um olhar profundo cor de mel. São vários olhares em um só, que demonstram tudo que ela deseja, seus medos ou sua alegria.
Morre de medo de futebol, seja no radio ou na televisão. Não pode nem ouvir a voz do Galvão Bueno, o que demonstra que tem bom gosto. Tem medo de futebol porque associa isso a bombas, o que me leva a crer que suas queimaduras devem ter sido feitas por algumas delas.
Não gosta também de moleques barulhentos com uniforme de escola. E quem gosta?
Adora queijo! Quando vê um, senta ao meu lado, apóia a cabeça no meu colo e começa a fazer o “olhar de queijo”: olha pro queijo, olha pra mim, olha pro queijo… até que um pedacinho vá parar na sua boca… Pode ser um pedacinho pequeno, ela pega com todo cuidado e delicadamente leva para sua cama.
A cama é toda ruída, costurada e remendada. Claro! Cama de uma verdadeira Clotilde Maria. Foi uma bronca para cada tecido rasgado, acreditem, mas ela não aprende. Eu sempre digo que a gente consegue tirar o cachorro da “favela”, mas nunca se consegue tirar a “favela” do cachorro. Talvez isso sirva para algumas pessoas também.
Me acorda todo dia no mesmo horário, exceto sábados e domingos o que me faz pensar que ela tem um calendário debaixo do colchão.
De vez em quando até acerta os feriados, me permitindo dormir um pouco mais. Só isso já seria motivo suficiente para ser muito amada, mas ela também é doce, meiga e sensível.
Foi vítima da maldade humana, do abandono, mas encontrou um lar e uma família quando nossas trajetórias se cruzaram.

Ela é minha companheira, minha filhota querida, dois olhos cor de mel que me fitam com doçura e me fazem uma pessoa mais feliz.”

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