Nana, Miró e Matisse

Texto redigido por Nana Fernandes

Miró meu cachorro artista
Eu vivia um momento triste naquela época.
Sai da maternidade com os braços vazios e cheguei em casa ouvindo o silêncio.
Depois de alguns dias, percebi que tinha a necessidade de cuidar, alimentar e dar o meu amor. Nos classificados de uma revista encontrei um anúncio. Vendem-se cães da raça husky siberiano. Atirei-me de cabeça e fui buscar meu filhote. No instante em que o vi, com um olho azul e o outro castanho percebi que ele era meu. Escolhi um nome artístico e ele não me decepcionou…
Nos primeiros meses, ele rasgou a espuma do sofá, comeu uma bolsa da minha irmã, entrava no vaso sanitário para se refrescar, carregava todas as roupas sujas do cesto e levava para frente da casa e arrancava a etiqueta de todas as roupas do varal!
Depois de um ano achei que era hora da família crescer e apesar do nome ser masculino comprei uma namorada para o Miró e chamei de Matisse.
Mais um ano passado, e vieram os filhinhos: Manabu, Tarsila e Gaugin.

Aí sim a vida ficou selvagem! Eu como superprotetora que sou, acordava fazendo mingau e almoço de arroz bem cozidinho com carne e legumes.  E foi então que a Matisse me ensinou uma grande lição. Achei que ela ia sentir muita tristeza quando os filhotes fossem embora.

A sabedoria dela foi se libertar no momento em que percebeu que seus filhotes já estavam prontos para o mundo. E ao contrário de mim ficou ótima.

Miró e Matisse eram uma dupla e tanto! Estavam sempre juntos e em todas as anarquias dela, ele participava. Ela era muito bagunceira e adorava rolar na terra depois do banho que eu lutava tanto para dar. Todos os dias colocava as duas patas dianteiras dentro da água e molhando todo o quintal, se deitava nas lajotas fresquinhas. O Miró repetia todos os movimentos dela e a bagunça era realmente espetacular. Apesar do cheiro constante de queijo dos dois eu os deixava viver como eles queriam. Afinal eram huskies e muito criativos!
Os anos voaram… E eles me fizeram muito feliz!
A Matisse morreu com 14 anos e no dia em que eu saí de casa com ela sabendo que não havia possibilidade dela voltar, o Miro cheirou o focinho dela em meu colo, virou de costas e foi para o quintal. Mais uma lição…
Arranjei então um passarinho e o Miró deitava embaixo da gaiola dele e dormia. Nunca mais ele espalhou água no quintal e nem quis os ossinhos que eram tão disputados quando eles eram dois. Depois de um ano o Miró se foi. Sei que ele foi encontrar com a Matisse.
Tenho saudades.
Mas como eles me ensinaram a gente tem que aprender a deixar ir…E sorrir, lembrando de todos os momentos que passamos juntos.
O amor incondicional dos meus cachorros curou as minhas feridas sem que eu percebesse.
Beijo
Nana Fernandes”
Que feliz encontro o desses 3 seres!
Como é bom saber de histórias como essas, da intensidade a qual pode chegar a relação com os animais e o quanto, indubitavelmente, eles têm a nos ensinar, sempre!.. Mesmo quando achamos que a nossa dor pode ser a maior do mundo…
Nana é escritora, sensível como deu pra ver, recém publicou um livro, que trata sobre espiritualidade…
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