Acolhi um animal de rua… O que fazer?

Meu primeiro post de 2012 é sobre os cuidados que devem ser tomados ao acolher um animal de rua.
No primeiro contato com o cão ou gato, não há como saber como é sua índole, nem tirar outras conclusões precipitadas. Ele até pode reagir de maneira não amigável, mas isso não significa que seja agressivo. Pode estar com medo, dor ou ter sofrido algum trauma. Portanto, não deixe que a primeira (má) impressão o impeça de ajudar um animal de rua.
O ideal é levá-lo para uma consulta a fim de que o médico veterinário possa examiná-lo e dar as recomendações e prescrições corretas. Sempre peço umhemograma completo (exame de sangue), de valor acessível e fundamental para conhecer o estado geral do animal.
Não costumo aplicar vacina num primeiro momento. Sempre é melhor esperar alguns dias para colher informações importantes sobre alimentação, consistência das fezes e eventuais sintomas. Prefiro vermifugar o animal, mas sempre aviso que, caso ele tenha alguma verminose, dependendo do tipo de verme a vermifugação não é suficiente. Algumas verminoses requerem o uso de antibiótico e controle ambiental. Quando possível, um exame de fezes também é importante.
Mesmo que o animal esteja aparentemente saudável e o hemograma normal, não podemos ter certeza que esse animal não tem doença alguma. Alguns vírus ficam incubados e levam algum tempo para manifestar sintomas clínicos e alterações laboratoriais. Portanto, proprietários que já tem outros animais em casa devem se assegurar que todos estejam com as vacinas atualizadas (V8 ou V10 e raiva para cães, tríplice ou quádrupla para os gatos). Para proprietários de gatos, vale salientar que para algumas doenças virais importantes dos felinos não existe vacina.
Para a higiene, recomendo um banho em pet shop ou em casa, desde que sejam usados produtos específicos e tomados os devidos cuidados. Indico banho com água em temperatura confortável e nunca usar água fria no inverno. Deixar sempre a cabeça por último e ficar atento para não deixar cair água nem xampu nos olhos e nos ouvidos. Gosto e uso o xampu Johnson “chega de lágrimas” para o focinho, pois não agride os olhos de cães e gatos. Para o corpo existem vários xampus de uso veterinário no mercado.  De uso humano, indico Protex ou Soapex líquidos, além de sabonete de coco Granado. Após o banho, é importante enxugar o animal e secar todo o pelo com secador.
Caso o animal tenha pulgas, a maneira mais rápida e eficaz de erradicá-las é com o medicamento veterinário Capstar (comprimido). A administração é única e de acordo com o peso do animal. Após administração, em menos de uma hora todas as pulgas morrem. Para prevenção de pulgas e carrapatos há boas opções também de uso veterinário, mas que devem ser aplicadas por via tópica: Frontline, Practic (apenas para cães), Revolution, Max 3 (apenas para cães).
Para alimentá-lo, recomendo rações de boa qualidade e, dependendo do estado nutricional do animal, a de filhote é a melhor opção. Se em cerca de 10 dias o animal continuar bem e sem nenhuma manifestação clínica importante, iniciamos a vacinação. Para filhotes indicamos três doses de vacina num intervalo de 21 dias até no máximo 30 dias (cães: V8 ou V10, gatos: tríplice ou quádrupla). Para cães e gatos acima de um ano indicamos apenas duas doses no mesmo intervalo de tempo.  Após as vacinas, gosto de esperar, no mínimo, 15 dias para castrá-los.
Muitos acolhem um animal de rua, mas sem intenção de adotá-lo. Nessa situação, aconselho que decida o melhor a fazer de acordo com sua disponibilidade, responsabilidade e condição financeira. Vejo muitas pessoas recorrendo a ONGs ou até mesmo a nós, médicos veterinários. O que poucos sabem é que a maioria das ONGs conta com a colaboração de pessoas que abrigam animais temporariamente por não terem abrigo. E nós veterinários, infelizmente, também não temos condições de acolher todos aqueles que nos procuram.
Já acolhi cães de rua e paguei pela hospedagem em hotel até conseguir doá-los. Muitos hotéis cobram um valor diferenciado para animais de rua.  Já os gatos consegui manter por algum tempo até conseguir dono.
Considero coerente que cada um assuma responsabilidade após tomar uma iniciativa. Sou veterinária e falo por mim. Jamais recusei atender um animal de rua, mas dependo da boa vontade de quem o resgatou para dar continuidade a esses cuidados.
Boa sorte com seu bicho!
Dra. Tatti
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