Os benefícios da castração de cães e gatos

Muitos clientes me questionam sobre a castração, tema um tanto quanto polêmico. A maioria sabe que é importante, mas nem todos conhecem seus reais benefícios.
A castração de gatas e cadelas evita algumas doenças, como piometra e câncer de mama. A piometra é uma infecção no útero e pode acometer fêmeas de qualquer faixa etária. Uma vez diagnosticada, a cirurgia é quase sempre a primeira e mais efetiva opção de tratamento. O tumor de mama pode aparecer em fêmeas a partir da meia idade. Indicamos a retirada do nódulo e a castração, além da biópsia para avaliar se é benigno ou maligno.
Estudos comprovam que em fêmeas castradas antes do primeiro cio a probabilidade de surgir um tumor de mama diminui em mais de 90%. O problema mais comum na fêmea castrada antes do cio é o não desenvolvimento da vulva. Ainda assim noto mais prós do que contras na castração das fêmeas.
As vantagens de castrar um macho incluem alguns fatores comportamentais. Se castrado ainda filhote, o macho diminui bastante o hábito de demarcar território (urinar em diversos lugares) e, dependendo da fase em que se encontra, acostuma a urinar sem levantar as patas. A castração ainda evita doenças como o câncer de próstata, que acomete cães de mais idade. Para animais agressivos, também é uma boa opção.
Recomendo a castração e, para a cirurgia, aplico sempre anestesia inalatória. Embora sempre exista um risco anestésico, esse método garante muito mais segurança ao animal se compararmos com o injetável. Costumamos dizer que o risco anestésico para um animal saudável é de 0,1%. Além do mais, para minimizarmos esses riscos pedimos exames complementares de acordo com idade, espécie e raça do animal.
Através Centro de Controle de Zoonoses de SP (CCZ) é possível conseguir uma castração gratuita em algumas clínicas conveniadas. Entretanto, o tipo de anestesia feita é a injetável, mais barata do que a inalatória.
Para o pós-operatório recomendo o máximo de repouso. Para evitar que o animal mexa nos pontos da cirurgia, costumo indicar roupa cirúrgica para fêmeas e colar protetor para o macho. Medicamentos para o pós- operatório são prescritos de acordo com raça e espécie do animal. Vale ressaltar que os medicamentos são escolhidos individualmente para cada animal. Portanto, nunca recomendo que o proprietário administre qualquer medicamento sem orientação do médico veterinário de sua confiança.
O ideal é completar as vacinas e, então, programar a castração. Nessa fase, o filhote estará com cerca de 5 meses. A castração precoce é muito comum em abrigos de animais porque, além de ser uma exigência doar o animal castrado, é muito mais conveniente para o adotante adquirir o animal nessa situação. Não considero ideal castrar um animal tão novinho e muitas vezes não imunizado, mas compreendo que abrigos e ONGS não têm condições de manter um animal por muito tempo e ainda arcar com o custo de todas as vacinas.
Está descrito em literatura que fêmeas castradas entre 5 e 8 semanas têm muito mais chance de ter incontinência urinária do que fêmeas castradas entre 5 e 8 meses. Entretanto, a maioria das organizações que promovem adoção e cuidam de animais de rua abandonados não tem muita escolha. Muitos contam com ajuda de colaboradores e lares provisórios, sendo que a falta de espaço e/ou local apropriado para abrigar os animais se torna um problema bastante comum. Portanto, quanto antes doar um animal melhor. Isso dá a chance para que outro seja acolhido e então adotado.
Pensando no controle populacional, a esterilização de cães e gatos ajuda a reduzir a quantidade de animais abandonados e maltratados nas ruas. Alguns pensam ser importante que o animal tenha ao menos uma cria, mas será que temos como saber se esses filhotes serão bem encaminhados e cuidados pelos novos donos?!?
Dra. Tatti
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