Abandono de Natal

Final de ano, festas e férias, são o terror da Proteção Animal, quando centenas de animais são abandonados pelos seus tutores.

A causa é que eles querem se “divertir”, “passear”, “viajar” e seus animais atrapalham ou se tornam um problema. Abandonar é mais fácil. Na volta compram ou adotam outro se não acharem o animal deixado para trás e no final do ano farão a mesma coisa novamente.

Mas porque se abandona tanto? Podemos dizer que é crueldade, claro, mas uma reflexão menos superficial aponta para um problema muito maior, que é cultural e educacional. O abandono se dá em todas as classes sociais. Engana-se quem pensa que é um hábito de pessoas ignorantes, no sentido acadêmico da palavra. Pessoas cultas, estudadas, com bons empregos e situação financeira estável abandonam. Pessoas de baixa renda também abandonam, então o abandono está ligado mais ao caráter e à formação do indivíduo.

Os Protetores do Cão sem Fome moram em áreas afastadas da periferia ou na zona rural. Muitas pessoas nesses locais, vêm de uma cultura onde o animal existia para servir ao homem. As pessoas têm “criação”: porcos, galinhas, gatos, cães, que comem restos, vivem ao relento, no meio do mato e sem cuidados especiais. Não há vacinas, castração, alimentação balanceada, nem laços afetivos. Eles apenas compartilham o mesmo espaço que as pessoas que lá habitam. Pessoas criadas nessa situação, continuam com essa visão dos animais como “coisas descartáveis” e sem importância, que podem ser deixados para trás porque “se viram”.

Não é raro os Protetores fazerem intervenções nessas comunidades, acolhendo animais abandonados, presos em casas desocupadas, largados na rua ou vítimas de castigos absurdos, como deixar o cão sem comida porque ele matou um frango.

Há também a cultura do “mundo cão”. A pessoa trabalha o ano todo, pega transito, paga contas, cuida de filhos, atura o chefe e vive em constante stress. Essas pessoas acham que “têm o direito de se divertir” e não é um cachorro que vai impedi-las. Se fazem de coitadas e têm a certeza que a vida é muito cruel e desumana com elas, por isso podem agir assim. Pessoas como essas se informam onde é a casa dos Protetores e à noite deixam animais amarrados nas suas portas, alguns com bilhetes, onde relatam suas razões para abandonar.

Outras pessoas não conseguem incluir um animal nas mudanças de sua vida e não querem se dar ao trabalho de encontrar um novo tutor para ele. Essas sempre se fazem de vítimas da situação, como se estivessem de coração partido e não tivessem outra opção. Opções existem aos montes, mas elas só enxergam a saída mais fácil. São pessoas que abrem a porta do carro e jogam seus animais nas estradas, avenidas ou nas ruas dos Protetores.

Como se tudo isso fosse pouco, ainda há pessoas que vivem da venda de animais em Feiras clandestinas. Os animais que sobram dessas feiras, são desovados feito lixo na porta de Protetores. São caixas com 10, 12, 15 animais de todas as idades. Magros, sarnentos, doentes, desnutridos. Só para colocar esses animais em condições de adoção, os Protetores e ONGS gastam uma boa quantia.

Neste ano o abandono chegou mais cedo. Além de todas essas razões apontadas acima, temos o agravante da crise que atravessamos. São muitas famílias passando por dificuldades e o desemprego alarmante. Essas pessoas também têm abandonado seus animais, muitas vezes cães de raça, que com certeza nunca saíram do apartamento que viviam e são covardemente abandonados em abrigos entupidos de animais.

Nossos protetores estão superlotados e muito acima da sua capacidade. O Quintal da D Silvia é o que mais sofre com o abandono na porta. Apesar de ser o Quintal que mais doa animais, a conta nunca fecha. Estamos trabalhando com o dobro da capacidade ideal e isso gera inúmeros problemas. Além da quantidade de ração consumida, gastamos mais com vacinas, vermífugos, remédios e convivemos com a impossibilidade de controlar problemas de pele e parasitas. O espaço físico também fica pequeno e muitos cães juntos acabam brigando, gerando um clima tenso constante.

Para continuar ajudando, nós também precisamos de ajuda. Você pode ajudar comprando um Calendário Cão sem Fome 2017, fazendo uma doação ou colaborando com nossa Campanha de Sacolinhas de Natal no nosso site.

Nossos peludos agradecem!

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